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EUA cria plano para destinar U$2 bi para computação quântica

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Sabe quando você quer construir uma nave espacial de Lego gigantesca, daquelas que custam o preço de um carro usado, e o seu avô rico decide pagar metade do brinquedo só para garantir que você termine antes do vizinho?

Pois bem, o governo dos Estados Unidos resolveu ser esse avô rico para a IBM. Nesta quinta-feira, o Departamento de Comércio americano anunciou um Pix de respeito de US$ 2 bilhões para empresas de computação quântica do país. E adivinha quem ficou com a maior fatia do bolo? A nossa velha conhecida IBM, que vai embolsar metade dessa bolada: US$ 1 bilhão.

As ações da companhia reagiram como quem toma três energéticos seguidos e subiram mais de 7% na Bolsa. O objetivo dessa dinheirama toda é acelerar a construção de computadores que não pensam como os nossos, mas sim usando as regras malucas da física quântica. É a corrida para ver quem cria o cérebro eletrônico definitivo antes que o resto do mundo entenda como a brincadeira funciona.

Como realmente vai rolar essa grana?

Em bom português, a computação quântica é o Santo Graal da tecnologia. Sabe quando você tenta resolver um cubo mágico e demora horas testando uma combinação por vez? Um computador normal faz exatamente isso, só que muito rápido. Já um computador quântico consegue testar todas as combinações do cubo ao mesmo tempo.

A IBM está tão confiante que estima que essa tecnologia vai gerar US$ 850 bilhões em valor econômico até 2040. A consultoria McKinsey vai além e diz que apenas quatro setores (como bancos e a indústria de remédios) podem faturar US$ 1,3 trilhão até 2035. É tanto zero que a calculadora chega a travar.

Para gerenciar esse projeto, a IBM criou uma empresa nova chamada Anderson. O governo americano vai colocar US$ 1 bilhão nela, e a própria IBM vai colocar mais US$ 1 bilhão do próprio bolso. O Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, deixou claro que o objetivo do governo Trump com a Lei CHIPS é garantir que os americanos fabriquem a maior parte dos wafers quânticos — que são os blocos de montar desses chips superpoderosos — impedindo que a China passe a perna neles.

A matemática do pão de queijo

Se você é um investidor de 5 anos e quer entender por que o governo está gastando tanto dinheiro em computadores que parecem saídos de um filme de ficção científica, olhe para os detalhes:

  • O poder é revolucionário: Esses sistemas processam informações em velocidades absurdas. Eles podem descobrir a cura de doenças em dias ou criar baterias perfeitas para carros elétricos.
  • Segurança nacional: O grande medo dos EUA é a segurança cibernética. Um computador quântico maduro conseguiria quebrar todas as senhas e criptografias de bancos e governos do planeta em poucos segundos. Quem tiver essa tecnologia primeiro controla o mundo.
  • Apoio aos pequenos: Nem todo o dinheiro foi para a IBM. Empresas menores e focadas no nicho, como a D-Wave Quantum e a Rigetti Computing, vão receber até US$ 100 milhões cada em troca de participação acionária para o governo.
  • O desafio do gelo: Esses computadores são extremamente mimados. Os “bits quânticos” são tão sensíveis que qualquer mudança de luz ou calor faz o sistema entrar em colapso. Eles precisam operar em temperaturas mais frias que o espaço sideral.

O pulo do gato

A grande estratégia por trás desse movimento não é apenas tecnológica, é puramente geopolítica e comercial.

Ao distribuir esse dinheiro através da Lei CHIPS e Ciência, o governo americano está criando uma barreira de proteção para as suas próprias empresas. Eles estão comprando participações em startups promissoras para garantir que a propriedade intelectual não saia do território americano.

A briga de ego aqui envolve gigantes como Google e Microsoft, que também estão correndo atrás do prejuízo quântico. Mas, ao garantir o apoio estatal bilionário, a IBM dá um salto à frente e se posiciona como a favorita para liderar o mercado que eles chamam de “computação quântica em escala de serviços públicos”.

Para o investidor, o recado é claro: a IBM deixou de ser aquela empresa “antiga” que vendia computadores de escritório nos anos 90 para se tornar a guardiã da infraestrutura de defesa e tecnologia do futuro. O risco, claro, é que o projeto é de longuíssimo prazo. Estamos investindo em algo que pode demorar uma década para dar lucro real nas ruas, mas quem tiver paciência pode acabar dono de uma fatia do próximo trilhão de dólares global.

Por que você deve se importar (mesmo se o seu PC antigo ainda travar)

Essa injeção de capital mostra que o governo dos EUA cansou de esperar o mercado resolver os problemas técnicos sozinho. Eles entenderam que, sem o dinheiro público para bancar a pesquisa básica e a fabricação dos chips, a tecnologia corre o risco de ficar travada nos laboratórios.

Para o pequeno investidor, o momento é de olhar para a IBM com outros olhos. Ela não está apenas competindo no mercado de nuvem ou IA tradicional; ela está criando o monopólio da próxima geração de computação mundial.

No final das contas, o mercado de tecnologia em maio de 2026 ganhou um novo combustível. Como costumamos dizer no escritório: se o governo está disposto a colocar bilhões em um negócio que é sensível à luz e ao calor, é porque o prêmio final vale muito mais do que a conta de luz do laboratório. Resta saber se os cientistas da IBM vão conseguir domar os átomos antes que os concorrentes achem uma forma mais barata de fazer o mesmo milagre.

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