INTERNACIONAL

Reino Unido Ameaça Melar Fusão de US$ 110 Bilhões entre Paramount e Warner

image

Se você achava que a consolidação dos serviços de streaming e dos grandes estúdios de Hollywood seria um passeio no parque, o governo britânico resolveu colocar uma pedra gigantesca no sapato de duas das maiores potências do entretenimento mundial. A ministra da Cultura do Reino Unido, Lisa Nandy, anunciou que está fortemente inclinada a intervir na megafusão de US$ 110 bilhões entre a Paramount Skydance Corp e a Warner Bros. Discovery.

A justificativa do Big Ben para puxar o freio de mão atende por dois conceitos caros à regulação europeia: a liberdade de imprensa e a pluralidade de mídia. A preocupação é que a união dessas duas gigantes coloque canais de notícias e catálogos de streaming gigantescos sob o controle de uma única diretoria corporativa, sufocando a concorrência na terra do Rei Charles.

O Nó Geopolítico: O Dono do Controle Remoto

A ironia da situação é que o casamento bilionário já recebeu o “sim” de quase todo o planeta, incluindo órgãos antitruste de peso nos Estados Unidos (aprovado pelo Departamento de Justiça), China, Austrália, Alemanha, França e Arábia Saudita.

Apesar de o negócio ser costurado a nível global nos escritórios de Nova York e Los Angeles, o impacto no ecossistema de TV britânico é massivo e direto. O governo apontou duas sobreposições críticas de bastidor:

  • O Monopólio das Notícias: A Paramount é dona do Channel 5 (uma das principais emissoras de TV aberta do Reino Unido, com jornalismo local forte), enquanto a Warner Bros. Discovery controla a CNN International.
  • O Império do Entretenimento: A fusão colocaria sob o mesmo teto marcas que moldam a cultura pop e o esporte no país, como TNT Sports, Cartoon Network, Nickelodeon, além dos streamings Paramount+ e HBO Max.

O Fantasma da Activision: O Histórico do Xerife Britânico

As empresas envolvidas têm motivos de sobra para ligar o sinal de alerta máximo. O órgão antitruste britânico (a CMA) ganhou fama global de “xerife implacável” em 2023, quando simplesmente bloqueou a compra da Activision Blizzard pela Microsoft por US$ 69 bilhões. Na época, a dona do Xbox precisou reescrever os contratos e ceder direitos de jogos em nuvem para conseguir a aprovação meses depois.

O cronograma dessa nova novela regulatória já tem datas fixadas:

  1. 6 de Julho de 2026: Prazo limite para Paramount e Warner responderem aos questionamentos iniciais do governo.
  2. O Teste dos 40 Dias: Se a ministra emitir a Notificação de Intervenção, os órgãos Ofcom (regulador de mídia) e a CMA terão até 40 dias para entregar relatórios detalhados sobre os riscos à concorrência.
  3. O Pente Fino de 24 Semanas: Caso os relatórios apontem problemas, uma investigação aprofundada de quase seis meses pode ser aberta, congelando a conclusão do negócio.

O Pulo do Gato para as Ações e o Consumidor

A Paramount Skydance já correu para acalmar os investidores em Wall Street, soltando comunicados afirmando que “está confiante de que a transação não fere a pluralidade de mídia no Reino Unido” e que o cronograma original de fechamento do negócio continua mantido.

Para o mercado, no entanto, o movimento britânico sinaliza que remédios amargos terão que ser adotados para salvar a fusão de US$ 110 bilhões. Para garantir a assinatura do Reino Unido — e possivelmente da própria União Europeia —, a Paramount Skydance pode ser obrigada a adotar medidas de proteção, como abrir mão do controle editorial independente da CNN ou, no cenário mais drástico, vender canais infantis ou divisões locais de esportes para outras empresas.

Na guerra pelo trono do streaming global, ter tamanho é documento, mas convencer os órgãos reguladores europeus de que você não vai mandar no debate público é uma batalha que exige muito mais do que apenas um talão de cheques bilionário.

Fonte