Sabe quando uma das empresas mais estratégicas do país passa anos na UTI financeira, ameaçada de ter suas tecnologias vendidas para o exterior, e de repente surge um cheque do capital privado nacional para salvar os foguetes, garantir os salários e ainda colocar um ex-presidente de tribunal internacional no comando?
Pois bem, a novela sobre o destino da Avibras — lendária fabricante brasileira de sistemas de defesa fundada em 1961 — ganhou um desfecho de mestre nesta quinta-feira (15 de outubro de 2026). A Globe Investimentos, family office dos empresários Joesley e Wesley Batista, concluiu a aquisição de 100% do capital da Avibras Aeroco, garantindo que o controle da companhia permaneça 100% nacional.
Para liderar essa nova fase de reconstrução e internacionalização, o grupo escalou ninguém menos que Bruno Dantas como presidente executivo do Conselho de Administração (Executive Chairman). A meta declarada é retomar a produção em escala e transformar as exportações de tecnologia militar no principal motor do grupo.
Onde o filho chora e a mãe não vê
Em bom português, o setor de defesa do Brasil suspirou de alívio ao ver a soberania tecnológica do país ser preservada longe das mãos de fundos estrangeiros.
Sabe quando você precisa entender quem é quem na nova estrutura societária para não confundir os CNPJs? Os detalhes do negócio trazem pontos jurídicos e estratégicos bem definidos:
- Fora do Guarda-Chuva da J&F: O comunicado faz questão de ressaltar que a compra foi feita pela Globe Investimentos (holding pessoal dos irmãos Batista) e não envolve a J&F S.A., o famoso conglomerado controlador da JBS.
- Nova AVB no Comando: A Globe passa a ser a única acionista da Nova AVB, holding que detém todas as ações da Avibras Aeroco (criada em 2026 para concentrar os ativos industriais, patentes e o portfólio tecnológico da empresa).
- A Diplomacia das Auditorias: A escolha de Bruno Dantas para presidir o Conselho é um tiro certeiro. Com bagagem de ter presidido a INTOSAI (organismo que reúne instituições de auditoria de mais de 190 países) e assento no Board de Auditores da ONU, Dantas tem o passe livre e a credibilidade necessária para negociar com governos estrangeiros — afinal, Estados Nacionais são os únicos compradores desse mercado.
A matemática do pão de queijo
Se você quer entender os pilares do império bélico brasileiro que foi salvo e reorganizado sob a gestão da Globe, acompanhe o raio-X dos ativos:
| Pilar da Companhia | Detalhes do Portfólio e Estrutura |
| Ativo de Ouro (ASTROS) | Sistema de Artilharia de Foguetes e Mísseis reconhecido mundialmente. |
| Tecnologias Críticas | Propulsão de mísseis, veículos especiais e soluções aeroespaciais civis/militares. |
| Modelo Societário | Controle 100% nacional via Globe Investimentos (Nova AVB). |
| Comando Executivo | Bruno Dantas (Chairman do Conselho) e Sami Hassuani (Presidente Operacional). |
| Vetor de Crescimento | Foco total em exportações para governos na Europa, Oriente Médio e Ásia. |
O pulo do gato (ou o pulo do míssil)
A jogada de mestre na aquisição da Avibras reside na preservação do capital intelectual brasileiro.
Durante os anos de crise financeira mais severa da Avibras, o maior risco para as Forças Armadas brasileiras era a perda dos engenheiros e técnicos altamente especializados que detêm o segredo industrial da tecnologia de propulsão e integração de mísseis do país.
Ao injetar o capital necessário para sanar compromissos acumulados e retomar as linhas de montagem industriais, a Globe não comprou apenas galpões e máquinas, mas sim o domínio de uma das poucas tecnologias de defesa da América do Sul capazes de competir de igual para igual no mercado internacional de suprimentos militares.
Por que você deve se importar
Para a indústria nacional e a geopolítica brasileira, o desfecho da Avibras consolida a soberania da Base Industrial de Defesa (BID) em um momento de crescentes tensões globais.
Garantir a sobrevivência da fabricante do Sistema ASTROS significa manter o Brasil na prateleira de exportadores de alta tecnologia agregada, gerando empregos de alto valor na engenharia e atraindo divisas em dólares e euros de contratos governamentais internacionais.
No final das contas, o capital privado dos Batista e a articulação institucional de Bruno Dantas garantiram que os foguetes desenvolvidos em solo paulista continuem ostentando a bandeira verde e amarela no mercado global.




