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NEGÓCIOS

Itaú Unibanco compra 35% da Prisma Capital

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Sabe quando o maior banco privado do país resolve que não quer apenas vender fundos tradicionais na prateleira, mas sim garantir uma cadeira de sócio na “boutique de investimentos” mais sofisticada e agressiva do mercado para abocanhar negócios que os bancos normais não conseguem estruturar?

Pois bem, a Faria Lima testemunhou mais uma tacada bilionária de M&A nesta quinta-feira (15 de outubro de 2026). O Itaú Unibanco fechou um acordo para adquirir 35% de participação na Prisma Capital, uma das gestoras de investimentos alternativos mais admiradas e especializadas do Brasil.

O movimento será feito via aumento de capital 100% primário — ou seja, todo o cheque assinado pelo Itaú entra direto para o caixa da gestora. Em troca, o banco leva ações preferenciais, enquanto os fundadores Marcelo Hallack, João Mendes e Lucas Canhoto preservam os 65% restantes do capital e mantêm o controle operacional e estratégico da casa.

Onde o filho chora e a mãe não vê

Em bom português, o Itaú compra um “supermotor” para turbinar sua divisão de Wealth Management & Services, enquanto a Prisma ganha um “tanque de guerra” financeiro para disputar transações gigantescas no país.

Sabe quando você tem uma excelente equipe de garimpo de negócios, mas precisa de mais pólvora para fechar transações de bilhões de reais sem depender apenas do dinheiro de terceiros? É exatamente essa a lógica da parceria:

  • O Cheque no Caixa: Os novos recursos primários aportados pelo Itaú vão para o caixa da Prisma para amplificar a capacidade de coinvestimento (quando a própria gestora coloca dinheiro do bolso junto com os clientes nos fundos) e acelerar a criação e compra de plataformas proprietárias para originar ativos.
  • O Músculo da Prisma: Fundada em 2017, a gestora possui cerca de R$ 28 bilhões sob gestão e já movimentou mais de R$ 14 bilhões em 120 transações. A especialidade da casa é o “trabalho pesado” do mercado financeiro: crédito estruturado, private equity, ativos imobiliários, financiamento de litígios (litigation finance), créditos de empresas em recuperação judicial/falências e gestão de contingências.
  • Chancela Sem Perda de Agilidade: O cofundador da Prisma, Marcelo Hallack, classificou o negócio como a “transação mais importante da história da gestora”, destacando que a chegada do Itaú cria uma base de capital muscular sem alterar a governança ágil que consagrou a empresa.

A matemática do pão de queijo

Se você quer entender os números e os detalhes da parceria entre o gigante bancário e a gestora de alternativos, acompanhe o raio-X da transação:

Atributo da OperaçãoDetalhes da Estrutura do Negócio
Participação Adquirida35% para o Itaú Unibanco (ações preferenciais).
Controle Societário65% permanece com os sócios fundadores da Prisma.
Tipo de Aporte100% Primário (recursos entram no caixa da gestora).
AuM da Prisma Capital~R$ 28 bilhões sob gestão (R$ 14 bi investidos em 120 operações desde 2017).
Aprovações PendentesSujeito ao crivo do Cade e do Banco Central do Brasil (BC).

O pulo do gato (ou o pulo dos alternativos)

O grande “pulo do gato” da transação para o Itaú é dominar o segmento de investimentos alternativos (illiquid assets e special situations), que tem crescido a passos largos no Brasil à medida que grandes fortunas e investidores institucionais buscam rentabilidades bem acima do CDI tradicional.

Em vez de tentar construir uma equipe do zero dentro de uma estrutura corporativa engessada de bancão, o Itaú preferiu se associar a uma plataforma especialista que já domina a originção de créditos estressados, litígios e reestruturações complexas.

Para o Itaú, abre-se uma via expressa para oferecer aos seus clientes de alta renda (Private Banking e Family Offices) acesso exclusivo aos fundos de alto retorno da Prisma. Para a Prisma, a sociedade com a maior instituição financeira da América Latina reduz drasticamente o custo de captação de recursos.

Por que você deve se importar

Para o mercado financeiro e a indústria de gestão de recursos, o acerto entre Itaú e Prisma sinaliza que a onda de consolidação entre grandes bancos e gestoras independentes de alternative assets continua a todo vapor no Brasil.

Com Selic elevada e volatilidade no mercado de capitais tradicional (ações e renda fixa líquida), o capital privado migra cada vez mais para soluções sob medida de financiamento corporativo, crédito privado e reestruturação de ativos imobiliários.

No final das contas, o Itaú carimba sua posição na vanguarda dos ativos alternativos, a Prisma garante um cofre blindado para crescer e os concorrentes do setor privado ganham mais um super-concorrente armado até os dentes para disputar as melhores oportunidades do mercado brasileiro.

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