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ECONOMIA

Brasil ficará com problemas fiscais independente do resultado das eleições, diz Fitch

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Sabe quando você chega no consultório do médico e ele avisa que, não importa qual dos dois remédios você escolha tomar na receita, a dieta vai ter que ser rigorosa porque o colesterol está nas alturas e o coração precisa de descanso?

Pois bem, a agência internacional de classificação de risco Fitch Ratings deu o seu veredito nesta quarta-feira (21 de outubro de 2026) sobre a reta final da eleição presidencial no Brasil. Em relatório divulgado às vésperas do segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), a Fitch cravou que a política fiscal no próximo ano terá que ser obrigatoriamente mais rígida, independentemente de quem vencer o pleito.

A justificativa da agência é matemática pura e simples: com o déficit orçamentário brasileiro superando a marca de 8% do PIB e a relação dívida/PIB escalando para mais de 80%, a margem de manobra do próximo governo será estreita, exigindo um aperto firme nas contas públicas a partir de 2027.

Onde o filho chora e a mãe não vê

Em bom português, o diagnóstico da Fitch mostra que a economia brasileira vai continuar andando com o freio de mão puxado por causa do desequilíbrio fiscal.

Sabe quando você precisa apertar o cinto porque a fatura do cartão estourou? A agência projeta que a atividade econômica continuará em marcha lenta: avanço de 1,9% para o PIB deste ano e de pálidos 1,4% em 2027.

Do lado da política monetária, a Fitch calcula que a taxa Selic (atualmente em patamar restritivo) deverá encerrar o próximo ano ainda rodando em 11,75% ao ano. O motivo para o Banco Central manter a mão pesada nos juros é persistente:

  • Inflação de Serviços Resiliente: A pressão sobre os preços do setor de serviços continua alta.
  • Expectativas Desancoradas: O mercado ainda desconfia da trajetória de longo prazo da inflação.
  • O Nó do Serviço da Dívida: Com juros nominais e reais elevados, o custo para pagar os juros da dívida pública continuará drenando o orçamento, limitando o consumo das famílias, travando os investimentos das empresas e encarecendo o crédito.

A matemática do pão de queijo

Se você quer entender os números e as projeções que a Fitch desenhou para o futuro econômico do Brasil até 2027, acompanhe o raio-X do relatório:

Indicador MacroeconômicoProjeção da Fitch RatingsContexto / Leitura Conjuntural
Déficit Orçamentário> 8% do PIBPatamar elevado que exige ajuste fiscal imediato pelo próximo presidente.
Dívida / PIB> 80%Nível de endividamento soberano que pressiona o prêmio de risco do país.
Crescimento do PIB (2026)1,9%Ritmo moderado, convergindo com as estimativas do mercado (Boletim Focus).
Crescimento do PIB (2027)1,4%Desaceleração adicional no ano seguinte devido aos juros altos.
Taxa Selic (Fim de 2027)11,75% ao anoMantida em patamar contracionista para combater a inércia inflacionária.

O pulo do gato (ou o pulo do ajuste fiscal)

O “pulo do gato” da análise da Fitch está no alerta sobre a velocidade da queda dos juros.

Segundo a agência, a taxa básica de juros só poderia cair de forma mais rápida e expressiva caso o próximo governo entregue um ajuste fiscal significativo e crível.

Se Brasília conseguir convencer os mercados de que vai cortar gastos e colocar as contas em ordem, o risco-país diminui, o câmbio se estabiliza e os juros de longo prazo cedem mais rápido. Sem esse ajuste robusto, o Banco Central será obrigado a manter os juros reais elevados por muito mais tempo, prolongando o sufoco de empresas e consumidores.

Por que você deve se importar

Para o seu planejamento financeiro e para o ambiente de negócios, o recado da Fitch é um lembrete pragmático de que a política fiscal de 2027 ditará o ritmo da economia real.

Não importa se o candidato vencedor do segundo turno deste domingo é da situação ou da oposição: a realidade dos números da dívida pública (acima de 80% do PIB) não negocia com promessas de palanque.

No final das contas, o próximo presidente da República assumirá o comando com a missão incontornável de apertar os parafusos do orçamento — ou continuará pagando a fatura mais cara do mundo em juros altos.

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