ECONOMIA

Governo quer incluir motoristas de aplicativo na Previdência

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Sabe quando você está de boa no banco de trás do Uber e o motorista puxa assunto para falar sobre os planos dele para o futuro, ou quando o entregador daquela pizza de sexta-feira chega reclamando da chuva?

Pois é. O Governo Federal resolveu que quer entrar nesse papo de retrovisor e colocar uma cadeira cativa para o INSS na garupa dessas motos e no porta-malas desses carros.

Nesta quarta-feira, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, deu uma entrevista à EBC e mandou um recado direto para a turma que vive de rodar pelas cidades: o Estado quer colocar todo mundo “debaixo do guarda-chuva” da Previdência Social.

O ministro fez questão de usar aquele tom de “conversa de bar com boas intenções” para tentar acalmar os ânimos de uma categoria que costuma ver qualquer movimentação do governo com o mesmo medo de quem vê uma viatura da polícia pelo retrovisor.

Como assim, incluir na Previdência?

Inclusão na Previdência, em bom português, significa que o governo quer que os trabalhadores de aplicativo comecem a pagar a famosa contribuição mensal para o INSS.

Sabe quando você guarda um pedaço do seu bolo de aniversário na geladeira para comer na semana que vem quando estiver com fome? A Previdência é isso, só que o bolo é o seu dinheiro e quem cuida da geladeira é o governo.

A grande questão que faz o motorista e o entregador perderem o sono é uma palavra que começa com T e termina com AXA. O ministro correu para jurar de pé junto que a ideia não é onerar o serviço nem tirar dinheiro do bolso de quem já rala o dia todo.

Segundo ele, o plano é puramente de proteção. Se o motoqueiro sofrer um acidente na chuva ou se o motorista ficar doente e não puder rodar, o INSS estaria ali para pagar o salário dele enquanto ele se recupera. É o famoso seguro social, mas que hoje não cobre quem trabalha por conta própria nos aplicativos se eles não pagarem o carnê por fora.

De ponto a ponto

Se você tem 5 anos e abriu uma barraca de limonada digital, aqui está o motivo real de o governo estar fazendo essa “propaganda” toda para cima de você:

  • O cofrinho do INSS precisa de moedas: A população brasileira está envelhecendo mais rápido que o seu estoque de piadas. Tem muita gente se aposentando e pouca gente jovem entrando no mercado de trabalho tradicional para sustentar a base.
  • O tamanho do mercado: O contingente de pessoas que trabalham em aplicativos hoje é gigantesco. Trazer essa galera para o sistema é o equivalente a achar um baú de moedas de ouro para ajudar a equilibrar as contas do governo.
  • Mudar a reputação do órgão: O ministro admitiu que a meta é parar de falar de “fraudes e filas” (as duas coisas que todo mundo lembra quando pensa em INSS) e começar a vender a imagem de um “anjo da guarda” financeiro.
  • Saúde financeira de longo prazo: Se mais pessoas começarem a contribuir agora, o sistema ganha fôlego para pagar os aposentados de hoje e garantir que o seu pai tenha uma aposentadoria amanhã.

O pulo do gato

A estratégia do ministério aqui é o que no marketing chamamos de “rebranding”, que é quando uma marca que está queimada com o público tenta mudar o visual e a fala para parecer mais amigável.

O governo sabe que os trabalhadores de aplicativo são, essencialmente, microempreendedores informais. Eles valorizam a liberdade de ligar e desligar o celular a hora que querem e detestam a ideia de ter um chefe — ou o Estado — ditando regras e cobrando tarifas sobre o suor deles.

Por isso, a abordagem do ministro foi totalmente focada nos benefícios, e não nos custos. Ele precisa convencer essa galera de que vale a pena abrir mão de um pedaço do ganho diário em troca de uma segurança no futuro.

A briga de ego e de narrativa aqui é complexa. De um lado, os sindicatos e o governo defendem os direitos trabalhistas e o bem-estar social; do outro, as plataformas de tecnologia dizem que custos extras podem deixar as corridas mais caras para o passageiro e diminuir os ganhos dos parceiros. E no meio de tudo isso está o motorista, tentando entender se o “guarda-chuva” do governo vai protegê-lo da tempestade ou se vai apenas pesar na mochila de entregas.

Por que o investidor de 5 anos precisa saber disso

Se você investe em tecnologia ou apenas usa o serviço para pedir o seu lanche, essa movimentação política mexe diretamente no ecossistema das big techs de delivery e transporte.

  • O custo do serviço pode mudar: Se essa inclusão virar lei e exigir que as plataformas também paguem uma parte da contribuição, o preço final da sua corrida ou da entrega do seu hambúrguer vai subir. O mercado sempre repassa a conta para o consumidor final.
  • Sustentabilidade fiscal: Para quem olha o cenário macroeconômico do país, conseguir formalizar milhões de trabalhadores informais é uma vitória gigantesca para as contas públicas, diminuindo o rombo da Previdência.
  • Segurança jurídica: Regras claras ajudam as empresas a planejarem seus investimentos no Brasil a longo prazo, sem o medo de tomarem processos trabalhistas bilionários de surpresa no futuro.

No final das contas, o flerte do governo com os aplicativos continua avançando em 2026. O ministro quer ser o passageiro camarada que dá cinco estrelas e ajuda a consertar o pneu furado do sistema previdenciário.

Resta saber se os motoristas vão aceitar essa corrida ou se vão preferir continuar rodando por conta e risco, confiando mais no próprio freio do que nas promessas de Brasília. Como costumamos dizer no escritório: o futuro é uma estrada esburacada, e é sempre bom saber quem vai pagar o guincho se o carro quebrar no meio do caminho.

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