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ECONOMIA

Petrobras eleva preço do Querosene de aviação em 7,2%

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Sabe quando você acha que o preço da passagem aérea para as férias já estava salgado o suficiente para o seu bolso, mas a estatal estatal resolve anunciar o terceiro “pedágio” consecutivo no tanque dos aviões antes mesmo do avião decolar da pista?

Pois bem, a Petrobras confirmou um novo reajuste no preço de venda do Querosene de Aviação (QAV) repassado às distribuidoras de todo o país. O aumento de 7,2% — que equivale a uma alta de R$ 0,45 por litro em relação ao mês anterior — entrou em vigor neste domingo (1º de novembro de 2026).

Trata-se do terceiro aumento consecutivo nas refinarias brasileiras: o combustível da aviação comercial já havia saltado cerca de 13,9% em setembro e acelerado mais 12,0% nas principais bases em outubro.

Onde o filho chora e a mãe não vê

Em bom português, para as companhias aéreas brasileiras (como Azul, Gol e LATAM), o reajuste do QAV atinge diretamente o “coração” dos custos operacionais do setor.

Sabe quando uma despesa responde por mais de um terço de tudo o que a empresa gasta para colocar o produto na prateleira? No setor aéreo, o combustível representa entre 35% e 40% do custo total de cada voo:

  • O Efeito Cascata na Tarifa: Como as companhias operam com margens operacionais apertadas, repasses consecutivos acumulados no QAV em setembro, outubro e novembro invariavelmente deságuam no valor final das passagens aéreas vendidas ao consumidor para as festas de fim de ano.
  • A Pressão do Oriente Médio: Segundo a Petrobras, o reajuste reflete a disparada das cotações internacionais do querosene, pressionadas pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela perda de capacidade de refino na Rússia e Ucrânia devido ao conflito do leste europeu.
  • A Trava da Fómula Mensal: A estatal destacou que a fórmula brasileira realiza reajustes mensais contratualizados no 1º dia de cada mês, amortecendo o impacto da volatilidade diária dos mercados internacionais onde a revisão de preços ocorre quase que diariamente.

A matemática do pão de queijo

Se você quer entender a trajetória de alta do combustível da aviação nas refinarias da Petrobras ao longo do último trimestre, acompanhe o raio-X dos reajustes:

Mês de Reajuste (QAV)Variação PercentualImpacto Financeiro DiretoContexto de Mercado / Geopolítica
Setembro / 2026📈 +13,9%~ +R$ 0,72 / litroInício da escalada no Oriente Médio e refino russo.
Outubro / 2026📈 +12,0%~ +R$ 0,70 / litroPressão contínua nas cotações globais de derivados.
Novembro / 2026📈 +7,2%+R$ 0,45 / litroTerceira alta consecutiva anunciada neste domingo (01).
Acumulado do Trimestre🚀 > +36,5%Pressão DiretaCusto do combustível abocanha ~35%-40% dos custos das aéreas.

O pulo do gato (ou o pulo da regra mensal)

O “pulo do gato” da Petrobras ao comparar a precificação do QAV brasileiro com o mercado internacional é destacar o papel do seu mecanismo de amortecimento temporal.

Enquanto em hubs internacionais na Europa e nos EUA o preço do Jet A-1 flutua diariamente acompanhando a loucura das cotações do barril de petróleo no mercado de futuros, o contrato da Petrobras suaviza os picos de volatilidade diária.

A estatal argumenta que, desde o início do conflito no Oriente Médio, as variações acumuladas no exterior foram significativamente superiores às registradas nas refinarias nacionais — sustentando que o preço cobrado no Brasil continua competitivo em relação ao mercado global, embora a dor no caixa das distribuidoras locais seja inevitável.

Por que você deve se importar

Para o seu bolso e para o planejamento de viagens corporativas ou de turismo, o terceiro aumento consecutivo no querosene de aviação é o prenúncio de passagens aéreas mais caras nos últimos meses do ano.

Com o dólar cotado na casa dos R$ 5,40 e a inflação de serviços ainda sob vigilância do Banco Central, a alta acumulada superior a 36% no QAV desde setembro reduz a margem de manobra das aéreas para oferecer promoções de passagens durante a Black Friday e a alta temporada de verão.

No final das contas, enquanto o mercado global de energia continuar sob forte tensão geopolítica, o voo no Brasil continuará pagando uma fatura salgada direto na bomba de combustível do aeroporto.

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