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REPORTAGENS ESPECIAS

Ted Turner: a incrível história do fundador da CNN

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Ted Turner nasceu em 1938, em Cincinnati, nos Estados Unidos. E passou a vida inteira fazendo o que ninguém achava que dava certo.

Foi expulso da faculdade. Herdou uma empresa de outdoors. Criou o primeiro canal de notícias 24 horas da história. Comprou um estúdio de Hollywood endividado. Casou com a Jane Fonda. E virou o maior dono de terras dos Estados Unidos.

Em 6 de maio de 2026, Turner morreu aos 87 anos. E a história de como ele chegou lá é cheia de apostas arriscadas, dívidas gigantes e declarações polêmicas.

Do outdoor à TV

Turner nasceu em Cincinnati, mas aos 9 anos a família se mudou pra Savannah, na Geórgia. Estudou numa escola preparatória cristã no Tennessee e depois entrou na Universidade Brown.

Nas aulas, não era nenhum destaque. Mas virou vice-presidente do clube de debates da faculdade. Falar sempre foi o forte dele.

Em 1960, foi expulso da Brown. O motivo? Receber uma visita feminina no dormitório sem autorização.

O velejador

Antes dos negócios, o esporte. Turner começou a velejar aos 9 anos. Aos 11, já disputava competições no clube de iates de Savannah.

Em 1964, competiu na seleção para as Olimpíadas.

Nos anos 70, continuou velejando e chamou atenção da imprensa. Em 1977, apareceu bêbado numa coletiva depois de uma corrida.

Era só o começo da fama de encrenqueiro.

O negócio herdado

Em 1963, Turner tinha 24 anos quando o pai morreu por suicídio. Ele assumiu a Turner Outdoor Advertising, empresa de outdoors que valia cerca de US$ 1 milhão.

Muita gente teria se contentado com isso. Turner queria mais.

A aposta na TV

Em 1970, comprou uma pequena estação de TV UHF em Atlanta. Ali nasceu a Turner Broadcasting System.

Mas o que ele viu, e os outros não, foi o seguinte: os novos satélites de comunicação podiam transformar um canal local em um canal nacional.

Na mesma época, a TV a cabo começava a se espalhar pelos EUA. E muitas operadoras passaram a oferecer o canal de Atlanta de graça pra completar seus pacotes.

Resultado: mais gente assistindo. Mais publicidade. Mais dinheiro.

O pequeno canal de Atlanta virou a WTBS.

Comprando times pra encher a grade

Em 1976, Turner comprou os Atlanta Braves (beisebol) e os Atlanta Hawks (basquete).

Parte do motivo era simples: esporte ao vivo é programação barata e que prende o público. Ele precisava de conteúdo pro canal.

E Turner era um dono bem peculiar. Participava tanto da gestão dos Braves que chegou a dar folga ao treinador pra assumir o comando do time por um dia.

Sobre a experiência, ele soltou:

“Treinar não é tão difícil, você só precisa fazer mais runs do que o outro cara.”

Nos anos 90, os Braves viraram uma das franquias mais populares do país. O estádio Turner Field, aberto nas Olimpíadas de 1996, leva o nome dele.

Em 1986, Turner ainda criou os Goodwill Games, os “jogos da boa vontade”, um evento esportivo internacional em nome da caridade.

A ideia que ninguém entendeu: CNN

Em 1980, Turner percebeu um problema. Muita gente chegava em casa tarde demais pra ver o telejornal das 18h30.

A solução? Um canal de notícias que não parasse nunca.

Turner discursando no lançamento da CNN(1980)

Nascia a CNN, a Cable News Network. O primeiro canal do mundo dedicado 24 horas a notícias.

Na época, a ideia parecia loucura. Quem ia querer assistir notícia o dia inteiro?

Todo mundo, como se viu depois.

Em 1986, a CNN cobriu o desastre do ônibus espacial Challenger. Em 1991, a Guerra do Golfo. E a forma de ver notícia mudou pra sempre.

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O apelido

Turner tinha o costume de falar o que vinha na cabeça. Declarações polêmicas eram rotina.

Por isso ganhou o apelido de “A Boca do Sul”.

A tentativa fracassada e a compra gigante

Turner tentou comprar a CBS. Não conseguiu.

Mas não desistiu. Em 1986, comprou a MGM/UA, o lendário estúdio de Hollywood de Kirk Kerkorian, por US$ 1,5 bilhão.

O estúdio era famoso. Mas estava endividado.

Depois da compra, Turner assumiu uma dívida enorme. Não teve saída: precisou vender partes do que tinha acabado de comprar, como o estúdio em Culver City.

O que ele manteve foi o que realmente importava: a biblioteca de filmes.

A biblioteca que virou canais

Com os filmes na mão, Turner criou novos canais:

1988: TNT. Estreou com a exibição de “E o Vento Levou”. No início, passava filmes e séries antigos. Depois, foi acrescentando programação original e esportes, com contratos da NBA e da NASCAR.

1992: Cartoon Network. O núcleo foi a biblioteca da MGM, que incluía os desenhos Looney Tunes e Merrie Melodies. Turner ainda comprou a Hanna-Barbera pra aumentar o catálogo.

1994: Turner Classic Movies (TCM). Criado pra exibir os clássicos da Warner Bros., da RKO e da MGM.

Moral da história: ele comprou um estúdio afundado em dívidas e transformou o acervo em uma máquina de canais.

A polêmica das cores

Em meados dos anos 80, Turner ficou obcecado por uma ideia: colorir filmes em preto e branco.

Em 1985, “Yankee Doodle Dandy” virou o primeiro filme em P&B relançado em cores por computador.

Diretores, atores e cinéfilos odiaram. A oposição foi enorme.

Mas o público gostou. E Turner passou a colorizar a maioria dos filmes que tinha.

O fim da história? O processo era caro demais. Na metade dos anos 90, ele largou a ideia.

Curiosidade: a TCM, diferente da TNT, exibe as versões originais, sem alteração.

Outras apostas pelo caminho

1988: Comprou a World Championship Wrestling, a liga de luta livre. Em 2001, já sob o controle da AOL Time Warner, foi vendida para a rival WWE.

1989: Criou o prêmio Turner Tomorrow Fellowship, pra premiar obras de ficção com soluções positivas pros problemas do mundo. O vencedor, entre 2.500 concorrentes, foi “Ishmael”, de Daniel Quinn.

1990: Fundou a Turner Foundation, focada em doações pro meio ambiente e pra questões de população. No mesmo ano, criou o Capitão Planeta, um super-herói ambientalista que ganhou duas séries animadas.

1993: Produziu o épico “Gettysburg” e ainda atuou como Coronel Waller T. Patton. Repetiu o papel em “Gods and Generals”, em 2003.

O maior dono de terras dos EUA

Turner também tinha uma outra paixão: terra.

Através da Turner Enterprises, virou dono de 14 ranchos espalhados por Dakota do Sul, Kansas, Montana, Nebraska, Novo México e Oklahoma.

No fim das contas, foi o americano com mais terras no país. A área era maior do que os estados de Delaware e Rhode Island juntos.

A missão, segundo a rede de restaurantes Ted’s Montana Grill, era administrar essas terras de forma econômica e ecologicamente sustentável, preservando espécies naturais.

Jane Fonda

Turner também virou notícia pela vida pessoal. Casou com a atriz Jane Fonda, e o casamento e o divórcio dos dois foram assunto na imprensa americana.

O último grande negócio

Em 22 de setembro de 1995, a Turner Broadcasting System anunciou que ia se fundir com a Time Warner.

A fusão foi concluída em 10 de outubro de 1996. Turner virou vice-presidente e chefe da divisão de TV a cabo.

Mais tarde, tornou-se um dos maiores sócios do grupo Warner Bros. Discovery.

O legado

Ted Turner morreu em 6 de maio de 2026, em Lamont. Deixou um império de mídia, um canal que mudou o jornalismo e o título de maior dono de terras dos Estados Unidos.

Tudo começou com uma empresa de outdoors que valia US$ 1 milhão, herdada aos 24 anos.