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INTERNACIONAL

EUA: Fed Reserve mantém juros entre 3,75% e 4%

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Sabe quando você está dirigindo em uma neblina espessa, a velocidade do carro está alta, o motor continua esquentando, mas você prefere segurar o volante com força por mais alguns quilômetros antes de pisar fundo no freio, só para ver se a visibilidade melhora na próxima curva?

Pois bem, o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, optou pelo pragmatismo nesta quarta-feira (28 de outubro de 2026). Em decisão amplamente antecipada pelas mesas de operação de Wall Street, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) decidiu manter a taxa básica de juros inalterada na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano — patamar em que se encontra desde o aperto de 0,25 ponto percentual promovido na reunião de setembro.

Sob o comando do recém-nomeado presidente da instituição, Kevin Warsh, o Fed preferiu “comprar tempo” e aguardar o acúmulo de novos dados de inflação e emprego antes de decidir se precisará puxar as rédeas da maior economia do mundo com ainda mais força nas reuniões de dezembro de 2026 e início de 2027.

Onde o filho chora e a mãe não vê

Em bom português, por trás do comunicado sóbrio da autoridade monetária esconde-se uma fratura exposta no conselho do Fed e um ambiente político eletrizante às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA (midterms), marcadas para 3 de novembro.

Sabe quando os bastidores de um banco central parecem um enredo de suspense jurídico e político? A decisão deste 28 de outubro trouxe ingredientes de alta tensão:

  • A Racha no Conselho: A manutenção da taxa não foi unânime. Duas dirigentes de peso — a diretora Lisa Cook e a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack — votaram contra a maioria, defendendo uma alta imediata de 0,25 ponto percentual para conter a escalada de preços.
  • A Batalha Trump vs. Cook: Foi a primeira dissidência formal de Lisa Cook desde sua indicação em 2022. O detalhe picante é que Cook está no centro de uma disputa jurídica direta com o presidente Donald Trump, que tenta destituí-la do cargo sob alegações de irregularidades em financiamentos imobiliários (com audiência decisiva marcada para o início de novembro na Justiça).
  • Pressão Eleitoral e a Sombra das Urnas: Com o Congresso americano em jogo na votação da próxima semana e o presidente Donald Trump defendendo abertamente juros mais baixos, analistas destacam a delicada neutralidade da instituição. Elevar juros a seis dias de uma eleição nacional seria jogar gasolina no debate partidário.

A matemática do pão de queijo

Se você quer entender os números que explicam a postura do Fed e o cenário desafiador da economia americana, acompanhe o raio-X da decisão:

Indicador Econômico / ParâmetroDado do Mercado / ProjeçãoLeitura do Comitê (FOMC)
Taxa Básica de Juros (Fed Funds)3,75% a 4,00% a.a.Mantida inalterada após a alta de setembro.
Ritmo de Crescimento do PIB (Q3)3,4% a.a. (GDPNow Atlanta)Classificado como em “ritmo forte de expansão”.
Placar da Votação no FOMC10 x 2Dissidência de Lisa Cook e Beth Hammack (queriam +0,25 pp).
Meta de Inflação (PCE de Setembro)> 3,0% a.a.Bastante acima da meta oficial de 2,0% (que dura há 5 anos).
Aposta de Alta para Dezembro> 85% nas curvas de jurosMercado projeta novo aperto na reunião do fim de ano.

O pulo do gato (ou o pulo dos juros globais)

O “pulo do gato” para o mercado financeiro mundial está na mudança de tom do comunicado sobre o crescimento econômico dos EUA.

O Fed alterou a classificação da atividade de um crescimento “sólido” (usado em setembro) para um “ritmo forte de expansão”. Impulsionada pelo consumo resiliente das famílias e, sobretudo, por investimentos bilionários das Big Techs em infraestrutura de Inteligência Artificial, a economia americana continua rodando aquecida mesmo com a guerra entre Estados Unidos e Irã pressionando a cadeia global de energia.

Essa combinação perigosa — PIB acelerando a 3,4% ao ano com a inflação preferida do Fed rodando acima de 3% — reforça a tese de que a taxa atual pode não ser restritiva o suficiente. Se os preços ao consumidor não mostrarem alívio nas próximas semanas, Kevin Warsh terá o pretexto perfeito para subir os juros no encontro de dezembro.

Por que você deve se importar

Para o mercado financeiro brasileiro, para o dólar e para a trajetória da taxa Selic aqui no Brasil, a decisão do Fed de manter a porta aberta para novos aumentos nos EUA exige sinal de alerta máximo.

Enquanto o juro americano permanecer em patamares elevados (ou subir no fim do ano), o capital financeiro global continua sendo atraído para a segurança dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries). Isso mantém a pressão de alta sobre o dólar frente ao real (que já bateu os R$ 5,40 após as eleições locais) e obriga o Banco Central do Brasil a manter a Selic em 13,50% ao ano por muito mais tempo para evitar a debandada de dólares.

No final das contas, o Fed preferiu não mexer nos juros a poucos dias das urnas americanas, mas deu o recado claro: a guerra contra a inflação nos Estados Unidos está longe do fim — e a fatura dos juros altos globais continuará sendo cobrada por um bom tempo.

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