A Comissão Europeia deu um passo decisivo em sua estratégia para conquistar autonomia tecnológica e não ficar à mercê do domínio norte-americano e asiático na corrida tecnológica. O bloco anunciou na noite desta quinta-feira (30 de julho de 2026) a abertura de uma chamada pública para selecionar os consórcios que serão responsáveis pela construção de até sete “gigafábricas” de Inteligência Artificial.
A iniciativa vai mobilizar até € 10 bilhões em recursos públicos (cerca de R$ 60 bilhões), com a expectativa de atrair pelo menos outros € 20 bilhões em capital privado, totalizando um superpacote de investimentos de € 30 bilhões (mais de R$ 180 bilhões).
O Que São as “Gigafábricas” de IA?
Diferente de instalações fabris tradicionais, essas unidades serão megacentros de supercomputação de alto desempenho projetados para sustentar o desenvolvimento de modelos de IA de última geração.
Cada ecossistema contará com:
- Hardware de Fronteira: Processadores e aceleradores gráficos de última geração dedicados ao treinamento de modelos de linguagem e redes neurais.
- Infraestrutura em Nuvem e Redes: Redes de transmissão de dados em ultravelocidade conectadas a arquiteturas de nuvem especializadas.
- Sustentabilidade Energética: Data centers otimizados para operar com alta eficiência energética e baixo impacto ambiental.
Esses polos funcionarão como uma infraestrutura pública e privada compartilhada, oferecendo poder computacional de ponta para startups, corporações, universidades, centros de pesquisa e órgãos governamentais de todo o continente europeu.
Foco Total em Soberania Tecnológica
A medida é uma resposta direta à dependência europeia em relação aos ecossistemas de big techs dos Estados Unidos (como Microsoft, Google, Meta e OpenAI) e aos fabricantes de chips da Ásia.
Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, destacou a urgência estratégica da iniciativa:
“O acesso à enorme escala de poder computacional oferecida por essas Gigafábricas de IA é uma necessidade estratégica para a Europa à medida que o desenvolvimento da IA acelera. Fico satisfeita em ver os Estados-membros, a indústria e a Comissão unindo esforços para viabilizar essas instalações, que são fundamentais para nossa soberania tecnológica.”
O Pulo do Gato para o Cenário Global
Ao lado das rígidas diretrizes de regulamentação impostas pelo AI Act, a Europa mostra que não quer ser apenas a “fiscal” da inteligência artificial no mundo, mas também uma produtora relevante de tecnologia de ponta.
Se por um lado gigantes como a Meta destinam dezenas de bilhões de dólares para superclusters próprios na América do Norte, o modelo europeu aposta na união de forças entre o caixa público da União Europeia e investidores privados para garantir que pesquisadores e empreendedores do bloco não precisem emigrar para ter acesso à computação de alto desempenho.




