ECONOMIA

Governo está próximo de zerar o IPI, diz Ministro

image

Em um aceno direto ao setor produtivo, o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, anunciou nesta terça-feira (25) que o governo federal vai emitir um decreto zerando o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em todo o país. O movimento busca antecipar o espírito do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) previsto na Reforma Tributária, eliminando gargalos históricos da indústria brasileira.

A declaração foi feita durante evento organizado pela revista Exame e pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), em São Paulo, diante de coordenadores de campanha presidencial.

Morte ao Acúmulo de Crédito: O Que Muda para a Indústria

O principal trunfo da medida anunciada por Durigan ataca uma das maiores distorções do sistema atual: a “bola de neve” de créditos tributários acumulados que as fábricas raramente conseguem reaver ou compensar com agilidade.

Com o decreto, a dinâmica do imposto industrial muda de figura:

  • Zerar a alíquota do IPI: A indústria deixa de recolher o imposto na saída da fábrica, estancando a formação de novos créditos tributários nas cadeias produtivas.
  • Tributo “por fora”: O imposto passará a ser destacado na nota fiscal de forma transparente, permitindo que o consumidor final enxergue exatamente a fatia de tributação embutida no preço do produto.
  • Alinhamento com o IVA Global: A mudança prepara o terreno para a transição completa em direção ao IVA dual (CBS/IBS), modelo adotado pelas principais economias desenvolvidas.

Fatores de Pressão e os Próximos Passos

O anúncio também serviu de palco para o Ministério da Fazenda defender o texto da Reforma Tributária contra as críticas de setores que tentaram preservar regimes especiais de tributação.

┌─────────────────────────────────────────────────────────────────────────────┐
│                            GARGALOS DO IPI ATUAL                            │
└─────────────────────────────────────────────────────────────────────────────┘
                                       │
      ┌────────────────────────────────┴────────────────────────────────┐
      ▼                                                                 ▼
[Cumulatividade]                                             [Falta de Transparência]
Imposto incide sobre imposto ao longo da cadeia.              Tributo embutido sem clareza para o cliente.
      │                                                                 │
      └────────────────────────────────┬────────────────────────────────┘
                                       ▼
┌─────────────────────────────────────────────────────────────────────────────┐
│                       SOLUÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO (IPI)                       │
├─────────────────────────────────────────────────────────────────────────────┤
│  • Fim do acúmulo de créditos retidos no caixa das indústrias               │
│  • Cobrança transparente "por fora" (modelo IVA)                            │
│  • Ampliação da base de arrecadação via combate à sonegação                 │
└─────────────────────────────────────────────────────────────────────────────┘

O Recado da Fazenda ao Congresso

Ao defender a reforma, Durigan lembrou que o texto original enviado pelo Poder Executivo continha muito menos exceções e isenções do que a versão final aprovada pelos parlamentares.

O diagnóstico da Fazenda é claro: quanto mais setores ganham tratamentos privilegiados ou alíquotas reduzidas, maior precisa ser a alíquota padrão para o restante da economia. Segundo o ministro, a prioridade da pasta continua sendo fechar as brechas de sonegação e acabar com privilégios setoriais, garantindo uma alíquota neutra e competitiva que impulsione a produtividade nacional.

A publicação oficial do decreto deve ocorrer nos próximos dias para detalhar o cronograma de adaptação das alíquotas industriais.

Fonte